14/11/2025
Apesar de ser reconhecida internacionalmente pelo planejamento urbano, Curitiba também carrega consequências de escolhas feitas décadas atrás. Segundo análises discutidas em “Curitiba e o mito da cidade modelo”, a organização do espaço urbano foi pensada com forte foco no eixo estrutural — onde se concentraram investimentos, serviços e o sistema de transporte integrado.
Essa proposta, embora inovadora, criou uma dinâmica onde determinadas regiões se tornaram altamente valorizadas, enquanto outras foram empurradas para áreas periféricas, mais baratas e com menor atenção do poder público. O zoneamento rígido, aliado à expansão rápida da cidade, acabou resultando em bairros distantes, com moradias improvisadas e infraestrutura insuficiente.
Hoje, parte dessas áreas enfrenta problemas estruturais como umidade, m**o e construções com materiais inadequados ao clima frio e úmido de Curitiba. A falta de adaptação das habitações não é um fenômeno isolado — ela reflete décadas de desenvolvimento desigual, onde o planejamento não alcançou a mesma qualidade em todas as direções da cidade.
O transporte também se tornou um marcador dessa desigualdade: enquanto o eixo central e suas transversais mantêm eficiência, muitos bairros periféricos não têm acesso pleno ao sistema, obrigando moradores a longos deslocamentos diários. Assim, o modelo que projetou Curitiba para o mundo não se materializou de maneira uniforme para quem vive nas extremidades da cidade.
Discutir esses aspectos não é negar os avanços, mas compreender que uma cidade só é verdadeiramente modelo quando oferece qualidade de vida de forma equitativa — do centro às bordas.