02/06/2017
SENSÍVEL DEMAIS, SOU UM ALGUÉM QUE CHORA... 💛❤
O amor de Xangô e Oxum é um amor doce. Ela, com sua desenvoltura conseguiu dobrar o gênio do impositivo rei que se prostrou aos pés da bela rainha dourada. Como eles se conheceram? Bom....
Oxum vivia perto de sua mãe Iemanjá e toda manhã ia se banhar em um rio perto da estrada, onde tinham belas cascatas. E lá ela ficava horas e horas brincando com os peixes, penteando suas madeixas e cantarolando... Oxum adora cantarolar. Dizem os antigos que até os peixes ciscavam a areia só para ouvir sua bela voz.
Xangô voltava da guerra e sentia muita sede. Ao se debruçar sobre as águas sorriu. Ele achou ter ouvido as águas que corriam rápido cantar e prestou atenção até se dar conta de que mesmo o rio em sua grandeza jamais cantaria tão divinamente.
Não era só. A água tinha cheiro de lírio, era perfumada e morna. Algo estava perfeitamente errado. Se levantou com a postura de guerreiro a espreitar o suposto inimigo quando é arrebatado pela visão daquela mulher. Negra como a noite mais escura, sua pele reluzia o sol e lhe tornava dourada. Estendida na margem do rio desnuda cantarolar, uma bela jovem de torço amarelado estava prestes a ser condenada por roubar o coração do rei,
Ele ficou por muitos minutos admirando aquela beleza descomunal, mas quando ela percebe se joga na correnteza e desaparece. Mas quem disse que ele quer voltar pra casa? Não sem aquela mulher.
Oxum nessa época morava com Exú e lhe conta sobre o ocorrido. Muito atarefado, Exú ignora. E no dia seguinte ela estava lá, no mesmo lugar. E Xangô? Se colocou de joelhos perante Oxum e declamou seu amor:
"Que beleza magistral, não posso ignorar! Como a ninfa das águas não canso admirar. Meu coração que é furtivo achou refujo certo em seu olhar, bela moça dourada permita-me lhe amar!"
Oxum se recusa, diz já viver com Exú e se vai. Xangô, transtornado, lhe pega pelo braço e a sequestra. Mas a tristeza de Oxum como refém nada tem a ver com a figura que ele deslumbrou e então a prende no calabouço. Exú começa a procurá-la e chega a Oyó quando começa a ouvir um canto triste vindo do chão. Ele prepara uma poção e entrega a Oxum que se transforma em uma pomba e se vai.
Mas, já era tarde. O coração dela chamava Xangô, e dessa vez por vontade própria a pomba regressa para os baços do rei que a desposa e coloca sentada ao trono esquerdo, ao lado seu. Kaô Kabecilê! Oraieie!