A ideia de raça diz respeito a um construto social, histórico, politico e econômico, no qual, objetivava justificar a colonização, escravidão, segregação, perseguição e morte de milhares de pessoas. Entretanto, nos dias de hoje sabe-se que raça é um dispositivo social que continua produzindo efeitos sejam estes físicos ou psicológicos. A ideia de raça ainda passa ser pensada em termos de racializa
ção, isto é, acredita-se na existência de diferentes raças humanas. Corroborando para fomentação do que entendemos por racismo, visto que, este consiste na ideia de que algumas raças seriam inferiores a outras, atribuindo desigualdades sociais, culturais, políticas, econômicas, psicológicas à “raça” e por tanto, legitimando as diferenças sociais a partir de supostos saberes e ideias pautadas nas diferenças biológicas. Nesta perspectiva, a partir do contexto histórico ao qual nós, afrodescendentes, nos encontramos, o Coletivo Yalodê-Badá vem por meio destas ações afirmativas. Superação do Eurocentrismo na educação básica: Tendo como base o aprendizado eurocêntrico inserido no currículo escolar, perpetuamos através deste a veneração eurocêntrica e a exclusão de outras culturas não - europeias, sendo assim, acreditamos que a superação do eurocentrismo na educação básica seria a forma mais eficiente e coerente de matar o mal pela raiz, ou seja, proporcionar visibilidade e o contato com demais culturas e saberes. Inclusão do estudo de religiões de matrizes africanas no ensino religioso: A inserção destes estudos seria indispensável para conduzirmos a sociedade para uma nova concepção sobre estas religiões, de tal forma que o preconceito gerado pela ignorância e informações equivocadas, se tornaria nulo ou quase nulo. Desmistificação do racismo no Brasil a partir da educação: O conceito de que o Brasil é um país sem racismo reforça a falsa ideia da competição igualitária entre as raças, o que acaba por desfavorecer, mais uma vez, o negro. O (verdadeiro) contexto histórico e cultural ao quais os negros(as) estão submetidos em nosso país deve ser transmitido a todos através da escola. Genocídio da População Negra – Dos homicídios que ocorrem no Brasil hoje, 80%, em média, as vítimas são negros, e em sua maioria jovens entre 12 e 29 anos. Servidos de um racismo instituído e protegidos por uma guerra declarada às drogas, a PM é a que mais mata essa população, alegando, em sua grande maioria, ato de resistência, o que nem sempre se comprova, pois em grande parte dos casos constata-se que tiro foi efetuado com pouca distância, na região da cabeça, nuca e costas. Estudos comprovam que a cada 03 mortos no país, 02 são negros. Ou seja, ser negro(a) torna um membro da sociedade, um alvo. Sendo assim, o Coletivo Yalodê-Badá, tem por objetivo, através de uma luta incessante, transmitir todas as informações possíveis à sociedade, conscientizando-a e mantendo-a vigilante e protestante quanto à “guerra” declarada aos negros. Nessa luta, o Coletivo também se posiciona contra e resistente à redução da maioridade penal no Brasil. Cultura Negra/Afro-brasileira: O Coletivo Yalodê-Badá tem a cultura uma de suas maiores bandeiras de defesa. A questão da valorização e do respeito às culturas africana e afro-brasileira são urgentes e precisam fazer parte do cotidiano de discussão de políticas-públicas dos governos e também do cotidiano de vida das pessoas. Além da força e vida, que ajudaram na construção e consolidação do Brasil, os negros(as) contribuíram também e muito na formação cultural de nosso país. A cultura, como forma de expressão do ser, tem de ser defendida. Suas práticas devem ser respeitadas e o direito dos indivíduos que delas se utilizam promovido e garantido. Feminismo Negro: Movimento de Mulheres para mulheres visando à extinção do patriarcado e uma construção de uma equidade entre gêneros. Desse modo, o feminismo negro vem pensar a condição de mulher atrelada a outras especificidades, principalmente a questão racial, que dentro dessa estrutura racista na qual estamos inseridas traz diversos danos à vivência de mulheres negras, tanto físicos como psicológicos. Nós, coletivo Yalodê Bada visamos o combate ao sexismo e racismo, pois não acreditamos que seja possível avançar na questão de gênero sem pensarmos na interseccionalidade da vivência social. LGBT: Sabe-se que o movimento LGBT mesmo representando um avanço na luta pelos direitos, este se constituiu de modo excludente e seletivo, assumindo assim posições opressoras a partir do estabelecimento de padrões estéticos e de consumo que deixam fora os não brancos. Haja vista que o fato de negros(as) e brancos(as) transitarem e conviverem em um mesmo espaço, não significa que não haja racismo, discriminação e preconceito e tão pouco que as desigualdades não estarão presentes. Nesta perspectiva, compreendemos e reafirmamos que evidenciar a fala de negros(as) LGBTs que são duplamente marginalizados, significa evidenciar suas ações sociais e políticas. Assim sendo, nós enquanto coletivo Yalodê-Badá visamos a construção de um olhar crítico frente à realidade, implicando na conquista da liberdade, avanço e superação do estado de subordinação e não pertença. Diante deste contexto, segundo os dados apresentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a população brasileira tem 42,1% de Pardos e 5,9% de negros autodescritos, com isto, reunindo os dois conjuntos temos praticamente a metade da população total. Todavia, se nós negros e negras somos a maioria do país, supostamente deveríamos ter os mesmos direitos sociais e de acesso, entretanto, sabemos que a população negra não usufrui dos direitos estabelecidos pela constituição Brasileira. Desta forma, nós enquanto coletivo Yalodê-Bada temos por objetivo a luta contra as grandes iniquidades ao nosso povo, e assim tendo em vista a luta contra o racismo, as discriminações e desigualdades presentes nas macro e micro relações, uma vez que, “o racismo opera e ajuda a operar uma seletividade entre quem tem ou não tem direito de uma vida cidadã”, entre quem deve ser preservado e protegido e quem é a vida indigna, que não merece ser vivida.