02/06/2026
Há dois anos deixei para trás a cidade onde cresci, as pessoas que conheciam minha história, os caminhos que eu percorria sem pensar e o conforto de pertencer a um lugar.
São Paulo me recebeu do seu jeito: apressada, intensa, exigente. Apesar de falarmos o mesmo idioma, às vezes parece que existe um código de conduta diferente por aqui. E todos os dias eu preciso decifrá-lo.
Aqui aprendi a andar ainda mais rápido, a enfrentar desafios maiores e a descobrir forças que eu nem sabia que tinha.
Foi no meio dessa “tempestade de mudanças” que reencontrei Cristo. Foi aqui que Nossa Senhora me tomou pela mão, me colocou em seu colo junto de Seu Filho e permaneceu ao meu lado enquanto as tempestades se acalmavam.
Foram dois anos de mudanças. De novas amizades, novos trabalhos, novas responsabilidades e novas possibilidades!
Novos sonhos nem tanto.
Às vezes percebo que muitos dos sonhos antigos estão se realizando justamente agora. Sonhos que eu mesma havia esquecido pelo caminho. E foi assim que descobri como Deus gosta de nos surpreender quando finalmente paramos de tentar carregar tudo sozinhos.
Foram dois anos de descobertas, mas também de saudades.
Saudade do mar de Recife. Da brisa salgada que chega sem pedir licença. Do sotaque familiar. Da minha família. Da comida que tem gosto de casa. Das pessoas que nenhuma chamada de vídeo consegue substituir.
Mas foi justamente a distância que me ensinou a enxergar o quanto Recife vive dentro de mim. Hoje entendo que não precisei deixar Recife para trás para construir uma vida em São Paulo. Eu trouxe Recife comigo.
Recife está no meu jeito de falar, de acolher, de contar histórias, de enxergar as pessoas, nas minhas referências e na forma como ocupo os espaços.
E, enquanto São Paulo me mostra novas possibilidades, Recife continua me lembrando quem eu sou. Porque algumas raízes não ficam para trás. Viajam conosco.
E, se tem uma coisa que aprendi nesses dois anos, é que posso morar em São Paulo, mas continuarei sendo, todos os dias, um Leão do Norte. Entretanto vivendo o lema dessa cidade: Non ducor, duco.