23/07/2026
Depois de projetar e acompanhar mais de 70 implantações ao longo dos últimos 10 anos, uma coisa deixou de ser teoria para mim: o ambiente afeta a saúde das pessoas.
Lelé compreendeu isso com uma profundidade rara.
Nos hospitais da Rede Sarah, luz natural, jardins, cores, mobiliário, ventilação e flexibilidade não aparecem como simples recursos de projeto. Fazem parte da recuperação dos pacientes, da rotina das equipes e da dignidade de quem chega fragilizado.
Ao explicar como os projetos eram desenvolvidos, Lelé disse:
“A vantagem é que nós participamos da elaboração do programa, discutimos o programa, os médicos participam, as enfermeiras participam.”
Um espaço de saúde precisa atender a medidas, normas e equipamentos. Mas ele começa antes, na sensibilidade de quem sabe escutar.
O arquiteto escuta quem atende, quem administra, quem investe, quem acompanha e, principalmente, quem precisa ser cuidado.
No livro “Arquitetura: uma experiência na área da saúde”, Lelé reuniu décadas de aprendizado com a Rede Sarah. Ali, o hospital é entendido como um organismo vivo, preparado para mudar com a medicina, com a tecnologia e com as necessidades humanas.
Quando projeto um ambiente de saúde, procuro não esquecer uma coisa simples: cada decisão desenhada termina no corpo, na rotina e na memória de alguém.
Que o legado de Lelé continue inspirando médicos, dentistas, gestores, investidores e todos aqueles que trabalham para cuidar de pessoas.
Se você pensa em criar um espaço de saúde, que este seja também o ponto de partida: cuidar das pessoas antes mesmo de abrir as portas.