24/03/2020
Sempre que uma catástrofe, independentemente da sua índole, assola um país membro da OCDE, surgem do nada, os profetas do postulado com teorias conspirativas bem articuladas com fundamentos cuja verosimilhança é inquestionável numa perspectiva de ''o olho da providência''. Diz-nos a história, na inevitabilidade dos factos, que muitas teorias da conspiração tiveram a sua origem no poder, para o servir incondicionalmente. É uma forma subtil de fazer contra-poder com o recurso à retórica e à oratória, coisa de letrados portanto, provocando desta forma uma rotura com a génese ''pura'' destas correntes de pensamento, cuja bitola é a fé na sua multidisciplina.
Fred Hoyle, uma das mentes mais brilhantes do Séc. XX contrariou a teoria do Big Bang com a teoria de um universo estacionário, que aos olhos da ciência mais convencional, não passa de conspirativa com contornos de ficção. Neste caso, ambas as teorias parecem convergir para uma inteligência superior do universo.
Mas que tipo de inteligência é esta? Divina? Racional? Protetora? Castigadora?
Não será uma inteligência equilibradora? Cheguei ao ponto zero. Ao início da construção de uma ou mais teorias que podem conspirar com fundamento nos pilares da minha crença.
Quando o mundo parecia despertar para uma consciência colectiva de que era, absolutamente necessário desacelerar, para uma regeneração do planeta, visando o equilíbrio dos recursos, eis que surge uma epidemia de doença infecciosa cujo saldo de mortalidade é imprevisível.
Será este momento mais uma manifestação da inteligência do universo? Foi esta inteligência natural que se manifestou na peste negra, na cólera, na gripe espanhola? Chegou a hora de nos redimir-mos, de pedir-mos desculpa ao iniverso? É o juízo final e vivemos um pesadelo sem precedentes, ou somos a plateia, em estado de catatonia, de um talk show à americana traduzido para várias línguas?
Em África e no sudeste asiático continuam a morrer, anualmente, cerca de 1,7 M de pessoas, vítimas do surto da Cólera. Por estas paragens do planeta, aparentemente não há quem se questione sobre a inteligência do universo. Parece também não existir uma audiência massiva e espontânea, telecomandada a aplaudir o humor do Jay Leno e os conselhos profiláxicos do Rodrigo Guedes de Carvalho.
CSS, Março 2020