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04/09/2025
Produção nova do Projeto Analisar, por .a.patitucci: “O lugar de rebotalho do gozo”.
05/05/2025

Produção nova do Projeto Analisar, por .a.patitucci: “O lugar de rebotalho do gozo”.

Por Camila Zoschke FreireQuando retomei os estudos para a construção deste escrito, produzi um sonho: estou em um seminá...
13/08/2024

Por Camila Zoschke Freire

Quando retomei os estudos para a construção deste escrito, produzi um sonho: estou em um seminário para apresentar um texto, tenho folhas com ele impresso em minhas mãos. O estranho do sonho é que me encontro em uma sala cheia de computadores. Leio a primeira página e descubro que a página dois está perdida. Fico constrangida, procuro nas folhas restantes a continuidade sem poder encontrá-la. Decido procurar o arquivo em meu e-mail. Ainda assim não encontro a página perdida, sequer o texto que enviei a mim mesma, procurando alguma garantia. Acordo depois dessa cena e me ocorre, primeiramente, o quanto me parece neurótico perder uma parte do trabalho que produzi. Seria algo da ordem da famigerada autossabotagem, que tanto ouvimos falar em nossos consultórios? Insistindo um pouco mais nas associações, penso que pode tratar-se de outra coisa: há um impossível na garantia do encontro com a página dois, com a próxima palavra, os próximos sons, a próxima nota. Cabe juntar os restos e escrevê-la. Ou reescrevê-la, de novo e diferente. Cabe persistir no seu encadear, em sua cadência.
É durante o próprio relato do sonho que me surpreendo com algumas palavras que escolho usar. Me pergunto porque seleciono tais palavras e não outras. Lembro que Freud afirmou que o pensamento do sonho não pode ser separado do relato, do modo como o sonhador decide comunicá-lo, de cada nuance da linguagem.
Talvez o sonho aponte para o meu desejo de que houvesse uma página dois já escrita, bastaria encontrá-la. Talvez os computadores também apareçam para figurar a máquina, a constância, a exatidão, a possibilidade de novamente imprimir o já escrito. No estudo da psicanálise e no desenrolar de uma análise nos deparamos com uma prática trabalhosa no sentido de uma autoria que passa pelo modo como lemos o mundo, a nossa própria história e inaugura a possibilidade de reescrevê-la: um texto produzido em transferência.
Uma das grandes apostas de Freud foi tratar qualquer texto como se fosse um sonho, como algo que requer interpretação, guarda sua estranheza, algo que de pronto não se entende. Longe de compreender, cabe preservar a devida ignorância.

Por Camila Zoschke FreireEscolhi o livro “Ioga” de Emmanuel Carrère para ser a minha leitura de férias. Inadvertidamente...
17/04/2024

Por Camila Zoschke Freire

Escolhi o livro “Ioga” de Emmanuel Carrère para ser a minha leitura de férias. Inadvertidamente, desconsiderei que o inconsciente não tira férias. Cruzei com alguns comentários de psicanalistas nas redes sobre o livro mas decidi não ler, geralmente não o faço antes de minha própria leitura. Desta feita, iniciei o livro sem ter ideia do que encontraria.
Eis que me percebi, logo de início, profundamente afetada pela leitura. Encontrei uma escrita pulsante, viva, aos moldes de um testemunho. O autor fala daquilo que o arrebata, do traço identificatório que recolhe daqueles que ama ou que perde, da vaidade, da insistência, da sua loucura, de uma vida em curso. Essas características que destaco sugerem a possibilidade de uma leitura clínica.
E aí começam as minhas perguntas: o que diferencia o caso clínico da literatura? Teria Freud sido afetado pelo texto de Jensen, “Gradiva”, assim como me percebo arrebatada pelo de Carrère a ponto de, por conta dele, desejar produzir outro texto? Como é possível que as palavras de um outro afetem o leitor em seu corpo? Afinal, durante sua leitura eu produzi sonhos – algo se produziu em mim – rabisquei o texto, me emocionei e senti medo.
O livro é designado como autoficção cuja definição, dada por Michel Laub, caracteriza uma escrita que se encontra no limiar da biografia e da invenção. Essa ideia desperta outra série de perguntas: há algo num auto que não inclua o caráter ficcional? O que é isso que alguns autores sabem de nós, que chama o nosso insabido? O que, de um texto, me escreve?
Luciana Salum ressalta que há textos que despertam o traço do leitor e o fazem autor na medida em que tem como efeito produzir no primeiro o desejo de escrever outro texto. O que me faz pensar que um livro só termina quando encontra esse leitor que assim, finaliza o (seu) texto – a carta que encontra o destinatário. Com Barthes, Salum recorda que se trata de textos que contém a presença do autor, sua coisa, algo que está associado ao corpo de quem escreve.
(segue nos comentários)

11/03/2024
A Jornada atualiza a escrita de Freud: “em sua origem, as palavras eram magia, e ainda hoje conservam muito de seu velho...
28/02/2024

A Jornada atualiza a escrita de Freud: “em sua origem, as palavras eram magia, e ainda hoje conservam muito de seu velho poder mágico”. Ainda hoje!

Na nossa recente Jornada de apresentação de trabalhos, intitulada “Conversas de Clínica”, fomos testemunhas de uma série...
26/02/2024

Na nossa recente Jornada de apresentação de trabalhos, intitulada “Conversas de Clínica”, fomos testemunhas de uma série de produções relevantes e consistentes que nos auxiliaram a pensar sobre a teoria da Psicanálise e a nossa prática como analistas em formação contínua.

Na mesa da sexta-feira 23, André Ehrlich nos forneceu ricos elementos para pensarmos sobre a fantasmática neurótica na sua dimensão perversa. Ela se institui em tempos lógicos e numa lógica pulsional essencialmente perversa, mesmo que esse elemento perverso não determine a estrutura do sujeito nem suas formas de se colocar no laço social.

Logo após a sua apresentação, foi a vez de Taiara Alff, quem realiza uma cuidadosa articulação teórica para nos levar a refletir sobre a questão do desejo, no que diz respeito da diferença entre o desejo de e DO analista, e os efeitos dessa diferenciação na sua função no fazer da clínica.

Por sua parte, Pedro Dias articulou de forma extremamente própria e instigante certas reflexões relativas à prática psicanalítica onde possa ser possível pensarmos em intervenções que mirem a ordem política e social, sem por isso descuidamos de questões éticas fundamentais e ficando advertidos sobre os riscos das militâncias.

E Paula Butture deleitou-nos com uma produção baseada na sua pesquisa de mestrado, onde ela consegue resgatar de forma suspicaz um olhar sobre a Psicanálise na sua relação e tensão com os termos de revolução e subversão. Assim, ela realiza uma leitura sobre a revolução proletária marxista e a subversão do sujeito pelo significante apontado por Lacan, assim como a revolução freudiana alicerçada na descentralização do eu.

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024. Na sexta-feira, na mesa mediad...
15/02/2024

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024.

Na sexta-feira, na mesa mediada por Consuelo Patitucci, teremos as seguintes apresentações:

A cena fantasmática neurótica é perversa - André Ehrlich

“Tentar de novo, falhar de novo, falhar melhor”: articulações entre a subversão do sujeito e o porvir revolucionário- Paula Butture

A ética na psicanálise: notas sobre o lugar do social na clínica - Pedro Dias
Desejo de saber e desejo do analista - Taiara P. Alff

A participação pode ser presencial ou on-line.
Mais informações por DM ou pelo e-mail: [email protected]

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024. Na sexta-feira, na mesa mediad...
15/02/2024

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024.

Na sexta-feira, na mesa mediada por Consuelo Patitucci, teremos as seguintes apresentações:

A cena fantástica neurótica é perversa - André Ehrlich

“Tentar de novo, falhar de novo, falhar melhor”: articulações entre a subversão do sujeito e o porvir revolucionário- Paula Butture

A ética na psicanálise: notas sobre o lugar do social na clínica - Pedro Dias
Desejo de saber e desejo do analista - Taiara P. Aliff

A participação pode ser presencial ou on-line.
Mais informações por DM ou pelo e-mail: [email protected]

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024. No sábado, na mesa mediada por...
15/02/2024

Saiu a programação da Jornada Conversas de Clínica, a ser realizada dias 23 e 24/02/2024.
No sábado, na mesa mediada por Thiago Benatto, teremos as seguintes apresentações:

O que se escreve e quem lê: algumas notas moebianas sobre psicanálise e literatura - Camila Z. Freire

criar uma demanda a partir da oferta de escuta: e quando o paciente nao dirige uma pergunta ao analista? - Carolina M. Lopes

a neurose obsessiva a partir da relação transferencial - Denise Sodré

Uma travessia: a escritura de um caso - Shana Pimenta


A participação poderá ser presencial ou on-line. Mais informações por DM ou pelo e-mail: [email protected]

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