23/12/2023
MINIMALISMO DO TER E MAXIMALISMO DO SER (Miniconto)
Nos confins de uma região suburbana, Francisco adotava um estilo de vida minimalista, em que a simplicidade reinava sobre o acúmulo de bens materiais. E numa manhã tranquila, na biblioteca local, seus olhos encontraram Débora, uma ex-colega de sala de aula, naquela ocasião imersa em livros que falavam de enriquecimento, mas não eram sobre acumular posses e sim sobre a busca do autoconhecimento e do desenvolvimento humano.
Ao se reaproximarem, depois de anos distanciados um do outro, reataram sua antiga amizade, descobrindo que as filosofias de vida individuais que cada um adotava não eram excludentes, muito pelo contrário, eram como peças de um quebra-cabeça que se encaixavam perfeitamente. Francisco, minimalista convicto, admirava a dedicação de Débora ao maximalismo do ser. Ela, por sua vez, via na simplicidade de Francisco um convite à introspecção.
Apaixonados, e decidindo unir forças, eles se casaram, criando uma sinfonia harmoniosa entre o minimalismo do ter e o maximalismo do ser. Francisco aprendeu que o desapego material não significava privação, mas liberdade. Débora, por sua vez, descobriu na simplicidade a clareza para concentrar-se em seu crescimento pessoal.
Juntos, desbravaram viagens sem bagagem excessiva, e colecionaram experiências, não objetos. Sua casa era preenchida não por excesso de coisas, mas por uma atmosfera de aprendizado constante. Descobriram que a fusão de suas filosofias gerava uma fórmula única de plenitude.
Os amigos e familiares notavam a transformação dos dois e neles se inspiravam. Enquanto o minimalismo do ter não significava privar-se do que é essencial, mas sim desapegar-se do supérfluo, o maximalismo do ser não era uma busca desenfreada, mas uma demanda positiva rumo ao desenvolvimento pessoal.
Francisco e Débora se tornaram verdadeiros embaixadores dessa nova filosofia de vida, disseminando conhecimento por onde quer que passassem. Eles demonstraram que desfrutar das coisas simples não excluía o crescimento como seres humanos; pelo contrário, era a base para uma existência mais plena. Afinal, no encontro entre o minimalismo do ter e o maximalismo do ser, encontraram a fórmula secreta para uma vida verdadeiramente rica em significado.
Gilmar Ferreira-Verlinden