24/01/2019
Felicidade é o nome da Domus essa semana. Na última terça-feira concluímos uma obra de importância inestimável para Indaiatuba e região e o discurso realizado por nosso engenheiro Victor Domingues Sanacato no momento da entrega das chaves é a tradução perfeita de nosso sentimento ao ver este prédio pronto:
"É preciso iniciar este discurso cumprindo o protocolo oficial de agradecer a todos que estiveram envolvidos na jornada de construção da sede da Volacc e dizer que é uma honra estar aqui, inaugurando este prédio após pouco mais de um ano de trabalho. É preciso dizer isso não porque manda o protocolo, mas porque somos verdadeiramente gratos por todo o apoio que recebemos ao longo desse processo e porque sentimos uma honra genuína dentro de nossos corações por termos participado e, sobretudo concluído esse projeto que contribuirá diretamente no auxílio de milhares de pacientes de câncer e seus familiares pelas próximas décadas.
Sempre fomos ensinados a tratar a engenharia como uma ciência exata. Por 5 anos na faculdade nos doutrinamos a fazer contas, iludidos com a ideia de que a matemática e a física fossem suficientes para construir o que quer que nos fosse proposto. Mero engano. A engenharia é uma ciência humana, pois é desenvolvida para atender às necessidades de humanos. A engenharia é uma ciência humana, pois é planejada e executada por seres humanos do início ao fim, as máquinas servem apenas para nos auxiliar nas atividades do dia a dia, ela não pensam, tampouco sentem. E quantos seres humanos participam dessa ciência. Nesta obra atuaram dezenas de trabalhadores diretos e centenas de trabalhadores indiretos. A nós coube apenas a missão de organiza-los e supri-los para que suas atuações fossem complementares, na prática não assentamos um tijolo sequer. Todo o crédito da construção em si reside nas mãos de bravos operários que trabalharam sob sol e chuva ao longo dos 12 meses em que a obra aconteceu, submetendo-se a riscos e oferecendo suas forças física e intelectual para encaixar cada peça em seu devido lugar. A engenharia é uma ciência humana porque possui falhas e a obra, fruto dessa ciência, não poderia ser diferente. Fizemos o possível para suprir suas imperfeições através de um comprometimento insaciável que buscou até o último minuto o melhor caminho para oferecer qualidade, segurança e beleza ao prédio, sem deixar de fazer as contas fecharem, afinal de contas são necessários aproximados 500.000 pasteis vendidos para bancar uma construção desse porte.
Ao longo dos 365 dias em que a obra se desenvolveu muitas coisas aconteceram. Tivemos a oportunidade de ver como uma cidade inteira é capaz de se render a uma causa nobre, oferecendo ajuda de todas as formas possíveis sem pensar duas vezes. Conhecemos pessoas incríveis, gente de coração alegre que quer fazer o bem sem saber a quem. Aprendemos incontáveis coisas novas sobre a engenharia e sobre a vida. Convivemos com realidades das mais diversas vindas de todos os cantos desse Brasil e carregaremos conosco as histórias que ouvimos rumo à eternidade, acompanhados de todos os aprendizados que elas nos proporcionaram. Pisamos muito na lama e ficamos com aquele bronzeado sensual concentrado no pescoço e nos antebraços. Usamos capacete, capa de chuva, tomamos impiedosas espirradas de concreto. Viemos aqui aos sábados, domingos e feriados e passamos umas boas noites sem dormir pensando na quantidade de pepinos que tínhamos pra resolver no dia seguinte. Recebemos honradamente o Prefeito de Indaiatuba na obra em duas ocasiões distintas, mesma quantidade de vezes que fomos parar na delegacia. Fizemos festas e pastéis. Conhecemos um anjo de passagem pela Terra chamado Dona Neli e tivemos a oportunidade de participar do finalzinho de sua jornada por aqui. Escrevemos cartas e advertências, saímos no jornal e na TV. Fomos ao churrasco da obra e no Rock in Heart no mesmo dia (Já fazendo o jabá para a edição de 2019, dia 26 de abril no Indaiatuba Clube, ingressos e camarotes disponíveis para venda em breve!). Vimos o projeto da nossa querida Barbara Fantelli estampado em outdoors pela cidade. Visitamos a obra por 52 quintas-feiras consecutivas às 7h30 da manhã com um sujeito brilhante chamado Silvio Oliveira. Sentimos fome de trabalhar todas as vezes em que vimos na disposição de alguém de 20 anos, uma senhorinha especial chamada Dona Joanna. Sentimos calor no coração nas oportunidades em que recebemos os assistidos e voluntários da Volacc na obra que, a partir de hoje, passa a ser só deles. De mais ninguém.
É com o peito transbordando de orgulho que entregamos as chaves desta sede hoje, certos de que a frequentaremos pelo resto de nossas vidas, cientes de que a robustez do prédio é proporcional à sua durabilidade e com a alma em paz por saber que, apesar das falhas que cometemos e dos defeitos que podem ser visíveis, nos entregamos por inteiro e saímos com o balanço entre erros e acertos no positivo.
Aos meus fiéis companheiros Flávio Ulhoa e Paulo Buenno, obrigado pela oportunidade de dividir essa jornada com vocês. Entreguemos juntos as chaves para a Volacc. Ah, querida Volacc, que você possa desfrutar desse prédio com a mesma pureza que nos acolheu nessa caminhada. Nosso coração, mais que nunca, bate por você.
Muito obrigado."