23/06/2023
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O grito por humanização na sua última mensagem antes de morrer – que Dr. Hernán Dario Estrada, neurocirurgião, enviou a seus colegas e amigos. Dr. Hernán foi um reconhecido neurocirurgião colombiano que quando se viu como paciente, descreve o que representa o sentimento de muitos outros pacientes internados, em quaisquer outros lugares do mundo:
“Eu sou outro depois de quatro vezes na UTI. Os resultados médicos não compensam os danos irreparáveis na esfera psicológica. Não sou mais Hernán Dario Estrada, sou o que restou dele. Não há dia, não há noite. Não há horários. Ninguém mais ouve o gemido. O amigo e colega é um estranho. Você não pode nem ver o rosto dele. Não há uma mão no ombro para dizer como você se sente. Nem um estetoscópio no peito que faz você se sentir cuidado. Faz ideia do que é tomar banho às cinco da manhã, tremendo de frio? Eu perguntei: por que não mudaram minha posição a cada duas horas? E eu ouvi o deboche. É um lugar hostil. Com ruídos, alarmes de aparelhos, conversas e risadas inapropriadas. Os pacientes apresentam angústia, ansiedade, insônia, receios e medo da morte. Somos facilmente rotulados de psicóticos. Existem os anjos, as enfermeiras (a grande maioria) e médicos (aqueles que explicam os porquês), familiares, confidentes e amigos. Eles choram, mal se sentam, enquanto outros não se mexem de seu trono e de seu brinquedo: o computador."
Ao final, Dr. Hernán, apesar de saber que sua vida estava se esvaindo, quis deixar uma reflexão para melhorar a qualidade do atendimento nesses espaços: “Há um longo caminho a percorrer para humanização...”
Texto publicado no periódico “Semana” e debatido entre os participantes do incrível evento iniciado nessa semana “Humanização em Saúde - Humanizar para Sanar” com a participação de médicos, enfermeiros, gestores, profissionais da hotelaria de 31 países visando transformar espaços e processos hospitalares em ambientes de cura mais sensíveis e humanos.
*crédito da foto: Hernán Darío Estrada: via Twitter.
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