17/12/2024
Está pública a minha tese de doutorado: Cartografias Criativas De Cartógrafos Ficcionais: Técnica, Referência e Estilos
Por Brendo Francis Carvalho
https://tede2.uepg.br/jspui/handle/prefix/4433
A prática de criar mundos ficcionais está diretamente associada com a capacidade humana de imaginar e atribuir significados ao espaço. Desde a antiguidade, terras fantasiosas e incógnitas alimentaram as utopias humanas. A matéria prima para o processo criativo de mundos ficcionais está associada à experiência, a memória, a percepção, o imaginário e ao contexto da cultura visual em que um sujeito se insere. As imagens que vemos mudam nossa percepção e entendimento do mundo, na medida em que atuam sobre nossas emoções e ideias, continuadamente ao longo da vida. Pesquisadores do campo da Cartografia Crítica repensam o papel dos mapas na vida cotidiana e seus efeitos sociais, bem como seu uso histórico associado ao projeto espacial moderno-colonial europeu e a hegemonia cultural do Norte Global. A partir disso questiona-se se o uso da Cartografia para criar mundos ficcionais não estaria associado com a saturação de temas do gênero literário de Alta Fantasia, a partir do paradigma das obras de J.R.R. Tolkien. O objetivo deste trabalho é compreender o processo de criação de mundos ficcionais a partir de mapas considerando o imaginário e a cultura visual de cartógrafos ficcionais brasileiros e americanos. A pesquisa foi construída processualmente e manejando metodologias diversas no Brasil e nos Estados Unidos, a partir de exercícios criativos e orientados por práticas de questionários, grupos focais, entrevistas e exercícios de Cartografia Criativa (não amostral). As análises seguiram três eixos de discussão: técnica, referências e estilos visuais dos mapas ficcionais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa situada no contexto da Cartografia Crítica, considerando o mapeamento como processo parte da cultura visual humana como essencial para compreensão das dinâmicas humanas e culturais. Dentre os resultados encontrados, está a ideia de que a experiência espacial é a matéria prima da criação de mundos originais, bem como a superação do etnocentrismo do Norte. Também, aprofunda-se a questão de como a arte cartográfica tem função de construção narrativa e ancoragem cultural para mapas ficcionais, para além da ornamentação e decoração. Espera-se que a pesquisa produza reflexões geográficas acerca da produção e dos tipos de espaço produzidos em mapas ficcionais tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.