01/11/2020
É o momento certo de comprar um imóvel?
Boa parte dos brasileiros quer comprar propriedades. O Fipe/Zap do segundo trimestre de 2020 mostra que 43% dos entrevistados tinham a intenção de comprar um imóvel nos próximos três meses. Esse percentual de potenciais compradores é maior do que o visto no primeiro trimestre de 2020 (36%) e na média histórica (37%).
Ao mesmo tempo, o Fipe/Zap apontou uma percepção de que os preços dos imóveis estão “altos ou muito altos” principalmente a partir do segundo trimestre de 2019, após anos de sentimento contrário.
Entre o segundo trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2020, houve aumento de 55% para 60% na participação de entrevistados que consideram os preços atuais como “altos ou muito altos”. E caiu o número de usuários do portal de classificados que consideram os preços “baixos ou muito baixos” (de 18% para 8%).
Então, este seria o momento certo para adquirir uma casa ou apartamento? “Houve queda de preços em diversas cidades nos últimos anos, e as condições de financiamento colaboram para essa maior acessibilidade do imóvel. Mas já temos visto um aumento nos preços, e essa tendência deve durar mais alguns meses pelo menos”, afirmou Eduardo Zylberstajn, consultor da Fipe.
Kallas concorda: quem esperar pode encontrar propriedades mais caras. Os custos das matérias-primas da construção civil têm subido por se correlacionarem ao câmbio. Alumínio, cobre e ferro são commodities negociadas em bolsa e seus preços seguem as cotações do mercado internacional, em dólar. Como a moeda americana já valorizou cerca de 40% ao longo de 2020, os custos estão pressionados.
“Os vendedores de materiais seguraram seus preços. Agora que o ritmo de vendas voltou, estão recuperando o tempo perdido. As construtoras veem esse aumento nos insumos e uma valorização dos próprios terrenos, pela lei da oferta e da demanda. As incorporadoras repassam todos esses custos no valor final apresentado aos compradores.”
Já Corrêa condiciona um aumento futuro nos preços aos outros dois fundamentos que permitem o crescimento do mercado imobiliário, além de acesso a financiamento: trabalho e salário. “Não adianta vender mais caro se não há compradores. É precipitado chamar esse movimento de boom. Mas, especialmente pelas novas taxas de financiamento, estamos criando condições para um novo ciclo de alta no mercado imobiliário tão logo tenhamos a recuperação do emprego e da renda.”