Econométrica

Econométrica Especializada em projeção de demanda, a Econométrica é uma empresa de consultoria que fornece suporte e inteligência estratégica para decisões de negócios.

A Econométrica é uma consultoria econômica que utiliza métodos estatísticos avançados para a estimação de demanda e análise do mercado. Acreditamos que a melhora na capacidade de negócios dos empresários locais acarreta uma melhoria da qualidade de vida geral, e nos comprometemos a fazer este trabalho com diligência e firmes princípios éticos. Constituída pelos consultores associados Economista Is

mael Cittadin e pelo Administrador Público Leandro Damasio, a Consultoria Econométrica busca fornecer um suporte diferenciado na construção de inteligência de negócios e estratégias para o desenvolvimento industrial. Por um lado, trabalhamos com projeção de demanda, utilizando nossos modelos estatísticos customizados às informações relevantes para o mercado, e por outro lado, realizamos pesquisas para identificar a atuação dos competidores de nossos clientes. Nosso método de trabalho é a operacionalização das estimativas de demanda. Consultamos as mais variadas bases de dados para construir um modelo estatístico que auxilie a previsão de fatores estratégicos da empresa.

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10/08/2021

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24/03/2020

Os acontecimentos dos últimos dias tem me feito pensar que o mundo será muito diferente depois desta pandemia de Coronavírus. Acho que as principais mudanças serão quatro: 1 – As sociedades v…

12/03/2020

Estou aqui observando o estoque de ações na Bolsa de Valores de São Paulo. Sem piedade dos especuladores de primeira viagem, quem votou no Bolsonaro precisa assumir a incompetência do Paulo Guedes.

20/11/2019

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15/07/2019

A redescoberta da nação

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S.Paulo, 7.7.2019.

A grande crise que começou em 2013 dura até hoje. No plano econômico, ela é estrutural; decorre do fato de desde os anos 1980 tanto o Estado quanto o setor privado terem perdido capacidade de investir; no plano político, ela começa com as grandes manifestações de junho de 2013 que marcaram o rompimento da classe média brasileira com o pacto democrático-popular das Diretas-Já.

O rompimento da classe média decorreu da incapacidade dos governos, tenham sido eles de centro-direita ou de centro-esquerda, de retomar o desenvolvimento econômico interrompido em 1980.

A partir de 1990, no quadro da democracia, com a preferência pelo consumo imediato, os interesses financeiros prevaleceram sobre o componente desenvolvimentista do pacto, e a classe média se viu espremida entre uma classe alta, financeiro-rentista, que se beneficiava dos juros e do câmbio apreciado, enquanto os pobres eram beneficiados pelas políticas sociais e pelo aumento do salário mínimo.

O rompimento da classe média ocorreu em 2013, quando essa classe deu uma grande guinada para a direita e se submeteu ao neoliberalismo. Quando, em 2014, o PT ganhou as eleições por pequena margem, não obstante haver perdido o apoio das elites econômicas, esse partido e seu líder foram transformados em “inimigos públicos”, aprofundando a crise política. O desencadeamento de uma crise financeira e fiscal nesse mesmo ano de 2014, cuja culpa foi atribuída ao governo Dilma Rousseff, agravou essa guinada.

Ocorre, então, uma sequência de conluios que aproveitam da hegemonia neoliberal. Primeiro, o vice-presidente Michel Temer, para obter o apoio das elites e da classe média e lograr o impeachment, encomendou a economistas neoliberais o documento “Uma Ponte Para o Futuro”; ao mesmo tempo, para se legitimar as violências contra o Estado de Direito da Operação Lava Jato, o então juiz Sergio Moro e seus procuradores escolheram o PT e Lula como seus alvos; finalmente, e segundo a mesma lógica, o candidato Bolsonaro escolheu um economista radicalmente ortodoxo, Paulo Guedes, para alcançar a Presidência.

Esses três conluios não foram apenas contra a esquerda, foram contra o Brasil. Os governos que deles resultaram colocaram todas as suas fichas em uma incompetente política fiscal procíclica de corte dos investimentos públicos, mostrando-se, assim, incapazes de adotar as políticas necessárias para a retomada do desenvolvimento econômico, enquanto procuravam vender as empresas públicas monopolistas a estrangeiros.

Hoje, o fracasso desse conservadorismo e dessa dependência radical aos Estados Unidos está minando a hegemonia neoliberal. E vemos, de repente, ressurgir a ideia da nação brasileira. Vemos intelectuais e políticos tanto na centro-esquerda quanto na centrodireita, que haviam “esquecido” o nacionalismo econômico, voltarem-se para ele —voltarem-se para uma nação que, não obstante as lutas inerentes à sociedade civil, seja capaz de unir os brasileiros em torno de um projeto nacionalista e desenvolvimentista.

Não há desenvolvimento econômico sem nacionalismo econômico, mas o nacionalismo implica um projeto de desenvolvimento econômico que tenha como principal característica macroeconômica a rejeição radical de déficits em conta corrente que a taxa de câmbio apreciada gera no longo prazo. Não basta para um país a competitividade técnica (a produtividade); é preciso que o país tenha também competitividade monetária, ou seja, uma taxa de câmbio competitiva que assegure às empresas brasileiras igualdade de condições na concorrência com as empresas de outros países.

Não basta ser contra a venda dos móveis da família. É preciso que a família brasileira abandone a não-política de um regime econômico voltado para o consumo e o substitua por um regime de política econômica voltado para a produção e a competitividade. O nacionalismo econômico só faz sentido quando o país, além de rejeitar a dependência, abandona a preferência pelo consumo imediato e se dispõe a competir no nível internacional.

01/07/2019

O ACORDO COMERCIAL BRASIL-UE SERÁ BOM PARA NÓS?

Um acordo comercial será positivo para um país se contribuir para o seu processo de desenvolvimento econômico e aumento da renda per capita. Isso significaria, em outras palavras, exportarmos mais manufaturados para nossos parceiros comerciais, inclusive elevando a participação desse tipo de produtos em nossa pauta de exportações. Ainda não conhecemos muitos detalhes do acordo fechado na última sexta feira entre o Mercosul e a União Europeia (UE) mas, com as informações disponíveis até o momento, não parece que caminharemos na direção desse melhor cenário. Explico a seguir.
Os produtos primários corresponderam a 67% de nossa pauta de exportações para a União Europeia, em média, entre 2014 e 2017 (dados da Unctad, ainda não disponíveis para 2018). O restante é composto de manufaturados. Já estes últimos corresponderam a 86% de nossas importações, na mesma base de comparação. Assim, é muito claro que somos exportadores de primários e importadores de manufaturados para a União Europeia. Aliás, se compararmos apenas o valor das exportações de primários e importações de manufaturados para a UE desde 1995, só não há déficit nessa comparação entre 2003 e 2005, quando nossa taxa de câmbio era bastante competitiva. Esse resultado é mais que esperado, pois sabemos que exportar primários não gera valor suficiente para financiar a importação de manufaturados.
Além disso, o gráfico abaixo deixa muito clara a posição do saldo comercial de manufaturados entre o Brasil e a UE. Conseguimos elevar nossas exportações de manufaturados até 2008, antes da última grande crise mundial, e posteriormente não logramos prosseguir nesse movimento. Em compensação, as importações desse tipo de produto continuaram crescendo, ampliando o respectivo déficit na relação Brasil-UE.
Detalhando um pouco mais nossa pauta de comércio, podemos observar quais são os grupos de produtos que mais exportamos para a UE: produtos alimentícios industrializados, produtos agrícolas, metalurgia, minérios e celulose (nessa ordem, correspondendo a 66% de nossas exportações no período 2015-18, segundo dados da Funcex). Todos produtos de baixo valor adicionado, com exceção da metalurgia (ferro, alumínio, aço dentre outros), que agrega um pouco mais de valor. E quando olhamos para as importações, são compostas principalmente de produtos químicos, máquinas e equipamentos, farmoquímicos e farmacêuticos, veículos e partes, informática e eletrônicos (65% do total, na mesma base de comparação; estes setores estão entre os que já foi anunciada redução de tarifas no âmbito do Mercosul, inclusive). A desigualdade na composição da pauta de exportações e importações, no tocante à capacidade de gerar valor adicionado, tecnologia e encadeamentos produtivos, é gritante.
Pois bem, a não ser que nosso país opte por realmente desenhar uma estratégia de política macroeconômica e industrial que estimule a exportação de manufaturados, o acordo do Mercosul com a União Europeia poderá nos transformar em uma grande fazendona cercada por minas de ferro e alumínio e pouquíssimas indústrias, reforçando o processo de desindustrialização.
Acordos comerciais podem ser bacanas para os países, pois nos expõe à concorrência e ampliam nossos mercados, mas desde que estejamos em pé de igualdade para competir nas negociações de produtos e serviços com maior valor adicionado. Esse é o ponto. Certaremos venderemos mais como resultado do Acordo Brasil-UE, porém cada vez mais primários, se não fizermos nada. E importaremos cada vez mais manufaturados. Você poderá ficar contente por tomar seu vinho francês mais barato, os europeus agradecerão, mas quando você perder seu emprego não adiantará culpar a “falta de competência do empresário brasileiro”. Acreditar que a abertura forçará o empresariado a se esforçar mais, em um ambiente já totalmente adverso, é estória para boi dormir. O mais impressionante é que tem muita gente, inclusive na CNI e na FIESP, que acredita nisso. Os acordos comerciais só serão benéficos para nós quando juntamente houver toda uma política para estimular nosso setor exportador de manufaturados. Nossa economia não é fechada para importar esse tipo de produtos; apenas para exportá-los. Assim foram todos nossos processos de abertura comercial desde 1990.

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