05/09/2026
Persistimos no equívoco de julgar a mente uma excepção - um império soberano que deveria governar imune sobre o caos do mundo.
Ao recusar essa separação, Espinoza devolve-nos á totalidade: não observamos a Natureza a partir de fora; somos a sua própria matéria a pensar-se a si mesma. E a matéria não conhece o estado estático. Move-se por marés, tensões e alternância de estações.
A psique, como intuiu Jung, obedece à mesma arquitectura. Exigir luz, e claridade contínuas é ignorar a necessidade vital do outono interior; o recolhimento, a perda e a integração da sombra sem a qual não há integração do ser.
Sentir o ritmo pendular do mar e das estações é um acto de alinhamento. É o momento em que o Ego cede o seu trono e a mente regressa à sua verdadeira dimensão.