16/06/2026
projecto "Casa Castela"
O projecto para o "Edifício Castela", surge para reabilitar, alterando a sua utilização, uma construção que tem origem na década de 60, na então Vila de Mealhada, actual cidade.
A construção nasceu originalmente para a instalação de uma "Pensão" denominada esta de "Pensão Castela". Foi durante as décadas de 70, 80 e 90 um marco do alojamento do concelho em particular e da região da Bairrada em geral.
O edifício, de traça simples e sem grande atributo arquitectónico, apresenta uma estrutura original em condições de relativa estabilidade.
A ideia de projecto passa por, alterando a sua utilização de alojamento para habitação, por requalificar toda a sua base estrutural, mas recompartimentando no sentido de garantir 6 unidades de utilização independente.
Todo o edifício, constituído em Propriedade Total, envolve uma área central a céu aberto de utilização comum que, para além de permitir a distribuição para as diferentes Unidades Independentes, garante todo um espaço verde privado para lazer. este espaço encerra-se em relação ao espaço público com o qual confronta.
O edifício divide-se em três pisos em que. no piso zero, garante três unidades independentes. A partir do seu interior, através de vão de escada (reabilitação da existente), acede-se ao piso um. Este garante outras duas unidades Independentes. Ainda, através do mesmo vão de escada, acedemos ao terceiro e último piso, com uma única unidade Independente. A sexta unidade, apesar de fisicamente ligada ao edifício principal, possui acesso individualizado, directamente através do espaço comum central.
Pretendeu-se garantir condições de habitabilidade atribuindo e privilegiando qualidade de espaço, sustentabilidade e controlo de domínio privado colectivo.
O estacionamento automóvel privado foi isentado por força das características originais do edifício e da sua relação com o espaço público envolvente. Este permite, de forma generosa, a garantia desse serviço.
Sem ferir a originalidade da sua traça, mesmo sem que se lhe reconheça interesse histórico ou arquitectónico, seguimos uma linguagem de reinterpretação da mesma. Fomos introduzindo e conferindo contemporaneidade, cuidadosamente cruzada com a sua época e conceitos da sua génese.
A um edifício pesado, que consideramos sem "alma", julgamos imperativo conferir-lhe vida e uma "aura" personalizada. Quisemos impor-lhe carácter de tal forma que este fosse um elemento enriquecedor da própria rua. Rua esta que, só por si, também um pouco fria e sem personalidade. Foi precisamente neste aspecto, na personalidade que quisemos que o edifício assumisse, que nos focamos para o desenvolvimento de toda a ideia de projeto. A presença frontal da Capela de Santa Ana, um ícone histórico da cidade, cuja linguagem arquitectónica é toda ela muito simples, de origem barroca, rodeada por adro que se desenvolve em duas plataformas ligadas por escadaria diante da fachada principal, foi alvo de leitura, no sentido da não sobreposição de valor, esquivando, dentro do possível, a alguma possibilidade de desvio de protagonismo.