O termo comum actual mais aproximado será moita e na verdade abundam ali as bouças de carvalheiras. Mas esta origem não satisfaz… Impõe-se que procuremos outra explicação. Poderia pensar-se em men [elemento que entra na formação da palavra dólmen] com o sig
nificado de pedra, ou então em meina, que quer dizer mina e também mineral, minério. Na região encontram-se pedreiras de boa qualidade; o já mencionado Domingos dos Santos, nosso avô paterno, dizia que os antigos afirmavam ter vindo dali a pedra para a construção da igreja paroquial. Abundava também a argila e teve fama a telha que ali se fabricava, utilizada em toda a região, pois era o único centro produtor. Extraiu-se aqui, desde tempos imemoriais, o tungsténio ou volfrâmio, correspondendo a última fase de extracção intensiva ao período da segunda guerra mundial, 1939-1945, e fez-se pesquisa de minérios, com resultados diversos, em vários pontos ou locais, mesmo nas demais povoações. Mas a Menoita sobrepunha-se a todas.
[…] Nascem aqui duas ribeiras de pouca importância, a maior delas nas proximidades de Menoita, denominada Ribeira das Cabras, e outra de menor caudal e extensão perto da sede da freguesia, conhecida por Ribeira da Pega.
[…] A única indústria tradicional era a fabricação de telha, na Menoita, que se sabe vir de longe e ser o principal centro abastecedor da região. Decaiu nos últimos tempos, não tendo êxito algumas tentativas de modernização.
[…] O P. José Quelhas Bigottes, na sua obra “O Culto de Nossa Senhora na Diocese da Guarda” diz que a capela da Menoita é dedicada a Nossa Senhora dos Milagres. Trata-se de um lapso, sem qualquer dúvida. O inquérito pombalino já lhe dava a invocação de Santa Bárbara, que ainda conserva.
[…] O escritor Manuel Joaquim Barroco, no seu livro “Panoramas do Distrito da Guarda”, em edição de 1978, afirma:
-“Na povoação de Menoita, anexa de Pêra do Moço, foram encontradas muitas moedas romanas, que estão expostas no Museu Regional da Guarda. Também na Menoita, na antiguidade, foram explorados minérios, fabricando-se ainda há relativamente poucos anos telha mourisca. Não obstante a emigração, Pêra do Moço é freguesia de muito progresso, em especial no aspecto agro-pecuário”.”
Martins dos Santos,
Pera do Moço (Anotações de um aborígene),
1998