07/02/2025
Os Benefícios Energéticos e Ambientais como Solução Sócio-Económica da Construção de Habitação com Estrutura em Madeira
A Madeira é um material mais leve que o Betão e o Aço, tem a qualidade de se renovar, o Betão e o Aço não.
Dizia o meu Pai, que há petróleo em Portugal, especialmente ao largo de Torres Vedras e do Algarve.
Ele foi engenheiro de Geologia e Minas e engenheiro de Petróleos que, quando se descobriu o petróleo em Angola, lá esteve como responsável pela prospecção petrolífera, até 1975.
Dizia, também, que havia gás, porque estas duas fontes energéticas andam juntas. O que não havia era motivação económica. Ele chegou a ser convidado para fazer parte duma equipa, chefiada por Americanos, para elaborar um estudo de viabilidade de extração em Portugal, mas não aceitou.
Temos, também, minas, como duas que existem no Alto do Pereiro, na margem Sul do Rio Paiva, na zona de Canelas, no concelho de Arouca. E tantas outras por Portugal fora, que, quando entrámos para a União Europeia, fecharam. Portugal é rico em ouro, cobre, chumbo, zinco, estanho, volfrâmio, manganês, lítio, pedras semi-preciosas, entre os principais elementos existentes.
Contudo, considero outras fontes de riqueza e de energias mais correctas, porque a extração das que acima descrevo é muito poluente, com uma pegada ecológica elevada, apesar de rentável. Pesa ainda os grupos económicos estrangeiros terem-se defendido limitando-nos com políticas de esmola, como dando-nos fundos para fecharmos este sector. E aqui convém lembrar os três pilares da economia que Portugal tinha: Agricultura, Minas e Pescas; o que promoveu o declínio e dependência económica do nosso país.
As novas fontes de riqueza e energia são já velhas no que toca ao uso que o Ser Humano lhe tem dado ao longo dos tempos que, como sabemos, são cíclicos. Apenas estão adormecidas. Elas são eficazes e estão à disposição do cidadão comum, em que com meios mais rudimentares, vernáculas, a elas se tem acesso como o uso da energia hídrica, eólica, agro-florestal, recursos da nossa plataforma marítima, etc.
Esta lógica deve ser transposta para os edifícios, utilizando sistemas constructivos energeticamente mais eficazes, com baixas pontes térmicas, menos massa física e menor pegada ecológica como, por exemplo, a construção com estrutura em madeira, que já tivemos grande tradição, não fossem “Naus há ver” - que Camões imortalizou, nos Lusíadas, sobre o Pinhal de Leiria, que o nosso Rei Lavrador visionariamente criou - seu indicador, quer naval quer civil, e que eu pratico enquanto constructor civil.
É este sistema construtivo, por si só, eficaz energeticamente, contrastando com o que maioritariamente praticamos em Portugal, de betão-armado e tijolo, onde, de facto, é preciso a introdução duma parafernália de equipamentos para compensar energeticamente a construção, encarecendo-a e aumentando a pegada ecológica.
E a estrutura em madeira é durável, e muito, basta saber, como sabiam os nossos militares quando construíram a Baixa de Lisboa, que lá está, faz este ano 270 anos, tendo sido o primeiro exemplo anti-sísmico em larga escala e objecto de estudos noutros países, adoptando-o, com o nosso apoio, como foi o caso da Holanda.
O modo como se constrói a habitação em Portugal é um absurdo e muito caro, com resultados sócio-económicos preocupantes.
Não é preciso inventar um novo sistema ou uma solução milagrosa, basta a construção ser energética e economicamente a pensar nos recursos e na sua eficácia, reintroduzindo a sabedoria ancestral, adaptando-a aos nossos tempos. Só aqui se baixaria mais de 1 grau centígrado à temperatura global, conforme atestam estudos científicos, vários.
A madeira é um material renovável, sendo que a floresta portuguesa ganharia com o bom uso de zonas certificadas para produção de madeira para a construção civil, renovando as respectivas manchas verdes de modo controlado, evitando incêndios e proporcionando o aumento de produção de oxigénio e humidade que as árvores produzem em maior quantidade durante os seus primeiros 20 anos de vida.
Em contrapartida, a extracção de cimento esventra as montanhas, não se substituindo o que se retira à natureza, provocando desequilíbrio. Se alguém tiver dúvida, basta dar um passeio até Setúbal para ir comer choco frito e depois dar um passeio pela Serra da Arrábida, logo ali ao lado da cidade, e ver a paisagem lunar que por lá existe, não prometo uma boa digestão após a excelente degustação, estômagos! Não significa o fim do betão-armado, ele pode e deve continuar a existir na construção de habitações mas, numa óptica de construção mista ou em fundações e outras estruturas abaixo do solo.
Portanto, a actual tradição constructiva em Portugal cai por terra, colidindo de frente com a realidade, que se encontra sedenta de mudança. É preciso ajustá-la porque quando se substituiu a madeira pelo betão, pensando que este era um material perfeito, não se sabia da dificuldade em se adaptar a sua massa física aos bons resultados térmicos e acústicos que ditam a qualidade duma construção nem se sabia da sua curta vida e necessidade de intervenção de manutenção que é sempre dispendiosa.
Basta ouvir-se o que o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles ou o Professor Álvaro Dentinho (com quem privei) diziam e hoje se comprova, porque eles sabiam, tinham o conhecimento.
Perdeu-se tempo para se poder fazer uma suave transição desde que pessoas assim começaram a alertar para uma mudança mas, é tempo dessa mudança acontecer, súbito.