25/07/2019
OUTRAS VOZES (7)
João Ceregeiro, Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas, é um repetente no nosso Facebook. Aliás, foi com ele que inaugurámos a secção “Outras Vozes”.
As suas declarações sobre a torre que estava prevista para o Quarteirão da Portugália são uma declaração de amor por Lisboa. Citamos.
”A cidade de Lisboa é feita por um território de colinas, de vales cavados, que descem em direção ao rio. Esse prodígio natural é depois acompanhado por um segundo prodígio, que é a construção da própria cidade. A construção da cidade reproduz esse contorno natural. Esta circunstância faz com que Lisboa retenha em si o ícone da cidade em si, ou seja, ela não é só o Terreiro do Paço, não é só os Jerónimos, não é só o Rossio. É, basicamente, a cidade toda. O que qualquer pessoa sensível sobre a sua cidade, qualquer visitante, percebe, é que este conjunto, este sistema, que, de uma forma sublime, notável, com a história… e aí é interessante ver o sistema pombalino, e depois como complemento um PDM que não faz mais que reproduzir uma cultura instituída, uma certa jurisprudência urbana, que introduz valores que culturalmente fazem com que a cidade estabilize.
Daí que não conseguimos perceber como é que dentro de um sistema que é uma co**ha, uma bacia visual que tem a nascente a presença forte de uma encosta, que o vale de Arroios, o Martim Moniz se vai desenvolvendo a partir daí, seja marcado por um volume com esta dimensão. (…)
Este parece-me que é um aspeto evidente, nem sequer devia estar aqui a ser debatido, porque parece que é simplesmente o esquecer da cidade. E não vamos falar em sentidos comparativos do que é negativo, porque o planeamento pela negativa é aquilo que existe em Portugal, isto é, ir buscar soluções que não estão bem para perceber que «afinal também posso fazer».”
Declarações feitas na Audição Pública sobre o Quarteirão da Portugália promovida pela Assembleia Municipal de Lisboa a 18 de julho.