31/08/2026
DESENHAR PARA A PROXIMIDADE HUMANA
Criar jardins de proximidade é uma estratégia eficaz para reduzir a solidão dos idosos nas cidades. À medida que a mobilidade diminui, o raio de ação dos residentes séniores reduz-se drasticamente, tornando o espaço público contíguo à habitação o seu principal ponto de contacto com o exterior. Quando esta envolvente urbana é dominada por superfícies minerais, barreiras arquitetónicas e ruído, o espaço inibe a permanência e acelera o isolamento social.
Na arquitetura paisagista, responder a esta realidade exige um desenho urbano centrado na acessibilidade universal e no conforto bioclimático. Um jardim de proximidade funciona como um micro-equipamento de coesão social onde cada decisão técnica conta. A integração de espécies arbóreas de folha caduca garante o sombreamento necessário no verão e a permeabilidade solar no inverno. Em simultâneo, pavimentos contínuos e antiderrapantes asseguram a circulação autónoma de pessoas com meios auxiliares de marcha.
A disposição do mobiliário urbano desempenha também um papel determinante: a colocação estratégica de bancos ergonómicos orientados para os eixos pedonais favorece a permanência e a interação visual sem expor o utilizador. Complementada por canteiros de vegetação aromática que estimulam os sentidos, esta abordagem transforma o desenho urbano numa infraestrutura de saúde pública, onde a natureza de proximidade previne a solidão e devolve a dignidade ao quotidiano da população sénior.
_ Karine Moreau